A história das telas touchscreen


Há alguns anos não era nada comum ver alguém usando um dispositivo com tela sensível ao toque, especialmente um celular. Se você nasceu até os 1990, é bem provável que o primeiro aparelho equipado com tal tecnologia que viu foi em alguma obra de ficção científica do cinema.

Atualmente, smartphones, tablets, GPS e até mesmo monitores que fazem parte do nosso dia a dia trazem telas do gênero. Seja dentro de casa ou na rua, em totens digitais ou caixas eletrônicos espalhados pela cidade, não é tão incomum ver alguém utilizando os dedos (ou uma caneta especial) para manipular o conteúdo exibido no display.

Apesar de ter caído nas graças fabricantes e utilizadores há pouco tempo, a história das telas sensíveis começou há cerca de 50 anos, na Inglaterra, com o inventor E. A. Johnson. De lá pra cá, o conceito evoluiu bastante por meio de contribuições de vários cientistas ao redor do mundo.

A primeira touchscreen

Era o ano de 1965 quando o inventor britânico E. A. Johnson descreveu seu trabalho em torno de uma tela sensível ao toque capacitiva em um pequeno artigo — dois anos depois, ele descrevia o seu conceito em um texto mais completo. Em 1968, um novo artigo do mesmo cientista é publicado, desta vez tratando das possibilidades da tecnologia.

O fato é que os historiadores consideram a tela desenvolvida por Johnson no Royal Radar Establishment, em Malvern, Reino Unido, como o primeiro touchscreen da história. O equipamento foi desenvolvido para uso em radares de controle de tráfego aéreo, perdurando até a década de 1990.

Primeiro touchscreen da história. (Fonte da imagem: Bill Buxton)
Primeiro touchscreen da história. (Fonte da imagem: Bill Buxton)

O equipamento, apesar de capacitivo, era bem simples. Ele era capaz de suportar apenas um toque por vez (ou seja, não tinha suporte multitouch) e também era binário, identificando apenas duas posições: toque ou ausência de toque, independente da pressão aplicada ao display.

Um acidente dá à luz as telas resistivas

Por incrível que pareça, as telas capacitivas, aquelas que podem ser manipuladas com precisão usando apenas a ponta dos dedos para isso, foram criadas antes das resistivas, as que demandam o uso de canetas especiais. Estas surgiram apenas no início dos anos 1970, quando o inventor estadunidense G. Samuel elaborou um método de facilitar os estudos de sua equipe de física nuclear.

Para acelerar um trabalho tedioso, o doutor Samuel — junto de outros dois membros de sua equipe — usou um papel eletronicamente condutivo para ler coordenadas X e Y. Esse protótipo criou meio que sem querer a primeira tela de computador sensível ao toque que se tem conhecimento.

Projeto PLATO

O próximo passo da escala evolutiva ocorreu também no início dos anos 70 e foi chamado de projeto PLATO. A tela utilizada no terminal PLATO IV foi uma das várias surgidas na época e uma das mais bem-sucedidas, apesar de ainda não ser sensível à pressão.


PLATO IV. (Fonte da imagem: Divulção)

Ela não era nem resistiva, nem capacitiva, mas funcionava a partir de um sistema de infravermelho sobre uma tela de plasma (tecnologia utilizada atualmente nos televisores de plasma). O dispositivo foi criado por Donalt Bitzer na Universidade de Illinois, Estados Unidos, e servia para que os estudantes respondessem questões apenas tocando na tela.

E começam os multitouch

Até então, as telas sensíveis ao toque não eram capazes de identificar mais de um toque por vez. Isso começa a mudar em 1982, quando Nimish Mehta, da Universidade de Toronto, no Canadá, apresenta o primeiro dispositivo multitouch do mundo.

Na opinião de Bill Buxton, cientista canadense pioneiro no ramo da interação entre computador e seres humanos e que deu grandes contribuições ao aperfeiçoamento da criação de Mehta, o aparelho era mais um tablet sensível ao toque do que uma tela propriamente dita.

Em sua linha do tempo de dispositivos de interação com a máquina, Buxton apresenta a o sistema multitouch de Mehta como “um filtro de plástico translúcido montado sobre uma placa de vidro, iluminado lateramente por uma lâmpada fluorescente”. Além disso, uma câmera acoplada abaixo da superfície tátil capturava opticamente as sombras que apareciam no filtro transparente.

Interação gestual

As telas começavam a se desenvolver, mas ainda não apresentavam suporte ao reconhecimento de gestos. Foi Myro Krueger, um artista digital estadunidense, que deu a primeira grande contribuição para mudar esse panorama em 1983, quando apresentou o Video Place (mais tarde renomeado para Video Desk).
O equipamento era um sistema óptico que permitia rastrear o movimento por meio do uso de projetores e câmeras de vídeo. A interação não se dava propriamente com a tela, mas a captação óptica era capaz de reconhecer inúmeros movimentos ou, como relatou Krueger em um livro, se tratava de uma “rica interação gestual”.

Semana que vem temos a segunda parte!

Fonte Tecmundo